uma carta pra quem amo

Eu tô muito mal, não paro de chorar e alguém me disse pra por isso pra fora escrevendo e é isso que vou tentar fazer escrevendo essa carta…

Eu sei que pareço distante e que quase não saio mais com vocês, mas é difícil ver que vocês se sentem tristes ao me ver triste, eu não quero preocupar ninguém, nem fazer mal pra ninguém, não quero ser egoísta,  nem malvada, nem qualquer coisa ruim que se pode ser, estou tentando proteger quem amo dessa coisa que estou me tornando porque agora parece que não sou só mais eu. Agora sou eu, a dor e o choro, quase o tempo inteiro. Eu não sei controlar.

Carrego um grande sentimento de culpa, sinto culpa pelos animais que já tirei a vida, culpa pelas pessoas que estão nas ruas sofrendo, pelas pessoas que sofrem no geral, pelo planeta tão doente, pelos outros planetas, pelas plantinhas que não cuidei tão bem, pelas fadinhas que deixei morrer aquele dia na floresta, pelas mensagens que esqueci de responder, pelas menores coisas também, até pelas coisas que nem são culpa minha eu sinto a culpa. Carrego a culpa do mundo todo nos ombros e não sei onde largar isso.

E todo dia é difícil levantar porque acordo e um milhão de pensamentos me surgem e tenho que me esforçar pra concentrar no que devo fazer aquele dia: sobreviver. Ao dia. E todo dia é esse exercício de listar o que posso fazer pra não morrer, pra não deixar meus pensamentos guiarem meu corpo até a cozinha e dar um fim ao exercício e isso cansa tanto. Fico com falta de ar.

Eu gosto tanto do sol mas parece que não faz mais sol e então como rego as plantas assim, sabe? Já estão tão úmidas dá ultima regada. Mas eu rego mesmo assim. Fica tudo molhado. Dá um dó vê-las assim. Porque não adianta regar tanto uma planta se o sol não vai mais vir, que sentido faz regar assim? Nenhum. Eu sei.

Gosto de me imaginar dentro de uma floresta num tom de verde muito escuro, com muitos tons de verde na verdade, mas prevalecendo o escuro e muitos filetes de luz entrando nos galhos das arvores marrons fazendo bolinhas amarelas no chão cheio de folhas em tons de vermelho e meus pés beges pisando no chão e fazendo barulhos de folhas, barulhos que folhas vermelhas fazem em chãos pretos como os bicos de alguns passarinhos cinzas com laranja que bicam flores amarelas com meinho laranja também como o meu cabelo e o lenço velho do meu avô… dá saudade.

Então fecho aos mãos e as abro em seguida (muitas vezes). Sento na cama (não estou mais na floresta) e abraço meus joelhos e vou pra trás e pra frente (muitas vezes). E choro muito (preciso dizer que muitas vezes?). E então enfrento o dia mais uma vez.

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