Vamos ser sinceros? Você não “sente muito”

Sinto muito é uma expressão tão bonita, pena que usamos de uma maneira tão esquisita. Pois veja bem, podemos sentir muito o vento, sentir muito os cheiros da praia, podemos sentir muito amor, sentir um milhão de sensações agradáveis mas ao invés disso, sentimos muito só a morte de completos desconhecidos.

O Paulo, que era primo do vizinho da empregada do sócio do amigo do cara que pintou sua casa ano passado faleceu e você sente o quê? muito. Você sente muito. Um desconhecido completo morre e CATAPLAU  tá lá você sentindo muito. Mas sentindo muito O QUÊ? Muita falta do que dizer nesse momento delicado? Medo do que falar?

É normal sofrer por perdas e todos nós algum dia acabamos perdendo pessoas que amamos, tudo bem sofrer essa dor, é importante que seja sentida pois é uma sensação real, mas se você não sente muito, tudo bem também. Não se prenda ou se culpe por não sentir a dor de todas as pessoas do planeta terra. Sentir nada tá na lista das coisas que mais tememos sentir e é estranho, pois a principio estávamos tentando não sentir.

Isso não vale só para enterros e momentos fúnebres, as vezes nos culpamos por amar alguém na mesma intensidade em que somos amados, culpa por não amar um familiar (precisamos falar do amor como uma obrigação em outro momento), culpa por terminar um relacionamento, culpa por não corresponder ao amor de alguém.

Acredito que não há mais tempo para tanta culpa e medo de admitir que não, hoje você não sentiu amor por ninguém. Hoje você não abraçou o porteiro. Hoje você não mandou aquela mensagem pra crush (que nem é tão crush assim). Tudo bem se hoje você não fez nada dessas coisas, desde que tenha vindo de você mesmo.

Pedimos tanto pra expressar nossos sentimentos que acabamos nos perdendo no caminho. Tudo bem sentir tudo e as vezes, tudo bem sentir absolutamente nada.

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Um comentário sobre “Vamos ser sinceros? Você não “sente muito”

  1. Ótimo assunto.
    O sentimento de culpa é a pior das hipóteses para contrair um dissentimento.
    Melhor é o pouco sem nada, do que temer o mundo pela maioria de nossas indecisões.
    Tudo bem não estar sempre bem. Os varadouros são apenas uma questão de tempo.
    E o que não vier, deixe a brisa levar. 😀
    Adorei sua textualidade Manu.
    jak

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